domingo, 2 de dezembro de 2007

Poesia/Música

As divisões foram minhas, pois não achei na net uma divisão em que tivesse confiança...

Geni e o Zepelim
Chico Buarque/1977-1978
Para a peça Ópera do malandro, de Chico Buarque

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Co'os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo - Mudei de idéia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniqüidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela formosa dama
- Esta noite me servir

Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni

Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Poesia

Esse poema é bem famoso - na verdade, a parte em negrito dele - e foi tipo um hino nos estertores finais da Ditadura Militar última em nosso Brasil. Mas se aplica a todos os tempos...

NO CAMINHO COM MAIAKÓVSKI
Eduardo Alves da Costa

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.


Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne a aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!

domingo, 14 de outubro de 2007

Cosplay


Um exemplo de cosplay de Sailor Moon, intitulado "como não fazer um cosplay"... Mas eu gostei!!!!
Algumas palavras sobre cosplay da Wikipédia (desconsidere os erros de português...):
"Cosplay abreviação de 'costume player' (Fantasia em inglês) é uma atividade que surgiu nos Estados Unidos da América em convenções de quadrinhos na decada de 70, quando fizeram uma promoção onde as pessoas com fantasias de Super-herois entrariam de graça. Com o passar do tempo foi se tornando uma tradição e um habito que se espalhou por todos os tipos de convenções envolvendo series ou personagens, principalmente as de "Jornada nas estrelas"Star Trek e 'Guerra nas estrelas' Star Wars, aonde as pessoas fantasiadas se tornaram a principal atração com concursos de fantasia e interpretação de cenas dos filmes ou episodios revelando talentos de nivel profissional. Ra rapidamente se espalhou pelo mundo todo, chegando na na Comiket, famosa convenção realizada há anos no Japão aonde o termo se popularizou e se espalhou especialmente em eventos e encontros de anime, mangá e videogames, respectivamente as animações e quadrinhos japoneses."

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Não virei um chato politicamente correto, incapaz de fazer uma escolha pessoal em detrimento de uma com vantagens para a coletividade... ainda bem.

Ontem, em meu trabalho, rolou uma escolha entre dois filmes para ser um exibido para todos os empregados, sobre o tema "assédio sexual". Um seríssimo, "Terra Fria", e outro divertidíssimo, "O Diabo Veste Prada".

Pensei, pensei, pensei... sobre o tema em questão, qual seria o mais apropriado? O que fala sobre uma mulher que trabalha numa mina e vai contra tudo e todos para denunciar o assédio sofrido pelas mineradoras (Terra Fria) ou o que fala de uma garota que arruma emprego numa revista de moda e sofre nas mãos de sua editora, tudo num tom divertido e bem comédia (O Diabo Veste Prada)? Qual passa uma super lição, encoraja as pessoas vítimas de assédio a agirem? Para as perguntas, a resposta seria "Terra Fria"... Mas qual escolhi? "O Diabo Veste Prada", porque é divertido, é cool, é fashion e eu quero assisti-lo de novo, sem ter que locar...
Escolha pessoal em detrimento do coletivo? SIM! Um pequeno mal-estar por fazê-lo? SIM! Vou me divertir pouco assistindo o filme, caso ele seja o escolhido? CLARO QUE NÃO!!!!!!!

É, nem sempre a gente tem que ser aquele ativista, pronto para abarcar todas as boas causas, não é? Às vezes, o que importa mesmo é ser feliz, nem que seja por cerca de duas horas...

See ya, space cowboy!!!

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Ne Me Quitte Pas - Maysa



É de arrepiar msm esta música, na voz do Maysa...
Achei um vídeo com legenda em português, mas como odeio tradução... E também tava um poquinho fora de sincronismo... CURTAM!!!!

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Manchete de Jornal I

HEPATITE VIRAL FEZ 649,5 VÍTIMAS EM DOIS ANOS

Jornal da Paraíba, 2 de outubro de 2007

Eu sei muito bem que manchete tem que ser econômica, mas... parece que meia pessoa morreu de hepatite, além de 649 pessoas inteiras...
Na verdade, esta foi a média... Lendo a reportagem, compreende-se isso logo. Mas custava nada melhorar um pouco a manchete?!?!?!?!